1. O que faz um acorde?
Um acorde é três ou mais alturas diferentes soando simultaneamente. Duas notas formam um intervalo; três ou mais formam um acorde. Embora pareça simples, a variedade de combinações possíveis cria milhares de tipos distintos de acordes, cada um com caráter sonoro único.
Acordes são construídos a partir de intervalos empilhados acima de uma nota fundamental. Os intervalos específicos determinam a qualidade do acorde—maior, menor, diminuto, aumentado, e suas muitas extensões e alterações.
Nosso Calculador de Intervalos ajuda você a entender os blocos de construção a partir dos quais todos os acordes são formados.
2. Tríades Básicas
Tríades são acordes de três notas construídos empilhando terças. Elas formam a base da harmonia ocidental e o fundamento a partir do qual todos os outros acordes são compreendidos.
Tríade maior
Tônica + 3ª maior + 5ª justa (0-4-7 semitons). Exemplo: Dó-Mi-Sol. Característica: estável, brilhante, feliz. Símbolo: C ou Cmaj.
Tríade menor
Tônica + 3ª menor + 5ª justa (0-3-7 semitons). Exemplo: Dó-Mi♭-Sol. Característica: estável, porém mais escuro, triste. Símbolo: Cm ou Cmin ou C-.
Tríade diminuta
Tônica + 3ª menor + 5ª diminuta (0-3-6 semitons). Exemplo: Dó-Mi♭-Sol♭. Característica: tenso, instável, deseja resolver. Símbolo: Cdim ou C°.
Tríade aumentada
Tônica + 3ª maior + 5ª aumentada (0-4-8 semitons). Exemplo: Dó-Mi-Sol#. Característica: misterioso, não resolvido, sonhador. Símbolo: Caug ou C+.
3. Acordes com Sétima
Adicionar uma sétima acima da tônica cria acordes com sétima—estruturas de quatro notas que adicionam complexidade e direção à harmonia. As sétimas são essenciais no jazz, mas aparecem em todos os gêneros.
Sétima maior (maj7)
Tríade maior + sétima maior (0-4-7-11). Exemplo: Dó-Mi-Sol-Si. Característica: exuberante, sofisticado, jazzy. O intervalo da sétima maior cria uma dissonância suave que soa moderna e bonita.
Sétima dominante (7)
Tríade maior + sétima menor (0-4-7-10). Exemplo: Dó-Mi-Sol-Si♭. Característica: com influência blues, deseja resolver descendo uma quinta. O trítono entre a 3ª e a ♭7 cria tensão buscando resolução.
Sétima menor (m7)
Tríade menor + sétima menor (0-3-7-10). Exemplo: Dó-Mi♭-Sol-Si♭. Característica: suave, aveludado, o acorde menor padrão do jazz. Muito estável e utilizável.
Semi-diminuto (m7♭5)
Tríade diminuta + Sétima menor (0-3-6-10). Exemplo: C-E♭-G♭-B♭. Símbolo: Cm7♭5 ou Cø. Comum como acorde ii em tonalidades menores.
Sétima Diminuta (dim7)
Tríade diminuta + Sétima diminuta (0-3-6-9). Exemplo: C-E♭-G♭-B𝄫. Todas terças menores—simétricas e ambíguas. Qualquer nota pode soar como fundamental.
4. Acordes Estendidos
Acordes estendidos adicionam a 9ª, 11ª e 13ª acima da sétima. Eles empilham terças adicionais para criar harmonias ricas e complexas, preferidas no jazz, R&B e neo-soul.
Acordes de Nona
Acorde de sétima + 9ª. Exemplo: C9 = C-E-G-B♭-D. A 9ª é o 2º grau uma oitava acima. Nona maior (Cmaj9) usa 7ª maior; nona dominante (C9) usa 7ª menor.
Acordes de Décima Primeira
Acorde de nona + 11ª. A 11ª (4ª justa uma oitava acima) frequentemente conflita com a 3ª maior, então a 3ª é frequentemente omitida ou a 11ª é aumentada (#11). Acordes menores com 11ª são mais comuns que maiores com 11ª.
Acordes de Décima Terceira
Acorde de décima terceira + 13ª. Exemplo: C13 contém (teoricamente) C-E-G-B♭-D-F-A. Na prática, notas são omitidas—a 5ª e frequentemente a 9ª ou 11ª. A 13ª (6ª maior uma oitava acima) adiciona brilho.
5. Inversões e Voicings
Inversões colocam uma nota diferente da fundamental no baixo. As mesmas notas rearranjadas criam cores e possibilidades de condução de vozes diferentes.
Inversões de Tríades
Posição fundamental: fundamental no baixo (C-E-G com C mais baixo). Primeira inversão: 3ª no baixo (E-G-C). Segunda inversão: 5ª no baixo (G-C-E). Notação: C/E significa acorde de C com E no baixo.
Inversões de Acordes com Sétima
Quatro notas significam quatro inversões possíveis. A terceira inversão (7ª no baixo) cria uma forte tendência descendente—B♭-C-E-G quer resolver para A ou F.
Voicing vs. Inversão
Voicing refere-se ao espaçamento e arranjo dos tons do acorde pelos registros, independentemente de qual nota está mais baixa. Voicing fechado mantém as notas dentro de uma oitava; voicing aberto as espalha mais. Mesmo acorde, sons muito diferentes.
6. Processo de Identificação de Acordes
Quando encontrar notas desconhecidas e precisar identificar o acorde, siga esta abordagem sistemática.
Passo 1: Reduza para Classes de Altura
Ignore oitavas e duplicações. C3-E4-G4-C5 reduz para C-E-G. Liste os nomes únicos das notas.
Passo 2: Teste Cada Nota como Fundamental
Calcule os intervalos de cada nota para todas as outras. O arranjo que corresponde às fórmulas conhecidas de acordes revela o acorde. C-E-G: a partir do dó, os intervalos são T3 e Q5 = tríade maior. Se você testar a partir do mi primeiro: mi para sol é m3, mi para dó é m6—não corresponde a tríades padrão, então mi não é a fundamental.
Passo 3: Considere o Contexto
A nota do baixo e o contexto musical importam. C-E-G com E no baixo é tipicamente chamado de C/E (dó em primeira inversão), mas em certos contextos pode ser analisado de forma diferente. A função do acorde na progressão ajuda a determinar o melhor nome.
7. Acordes Alterados e Suspensos
Alterações modificam as notas do acorde cromaticamente. Suspensões substituem a terça. Essas variações expandem consideravelmente a paleta harmônica.
Acordes Suspensos
Sus4: substitui a 3ª pela 4ª (C-F-G). Sus2: substitui a 3ª pela 2ª (C-D-G). Nem maior nem menor—suspendem essa determinação, criando expectativa de resolução.
Dominantes Alterados
Acordes dominantes com 5ªs e/ou 9ªs cromaticamente alteradas. C7(♭9), C7(#9), C7(♭5), C7(#5), C7alt (múltiplas alterações). Eles aumentam a tensão e facilitam a condução cromática na voz no jazz.
Acordes com Tons Adicionados
Add9 (Cadd9) adiciona a 9ª sem a 7ª: C-E-G-D. Diferente de C9 que exige a 7ª. Add6 adiciona a 6ª: C-E-G-A (às vezes chamado de C6).
8. Nomeação Baseada no Contexto
As mesmas notas podem ter nomes diferentes dependendo do contexto musical. Entender essa flexibilidade evita confusão e facilita a comunicação.
Equivalentes Enharmônicos
C-E-G# pode ser dó aumentado ou lá♭ aumentado com dó no baixo. Ambos os nomes descrevem o mesmo som. O contexto—quais acordes vêm antes e depois, em qual tonalidade você está—determina o nome correto.
Acordes com Barra vs. Inversões
C/E (Dó com Mi no baixo) é um dó em primeira inversão. Mas C/B♭ coloca uma nota que não pertence ao acorde no baixo—isso não é realmente uma inversão, mas um poliacorde ou combinação baixo-melodia. A distinção é importante para a análise.
Nomes Funcionais
Na análise com números romanos, os acordes são nomeados pela função: I, IV, V, ii, etc. A função de um acorde pode ser mais clara do que seu nome absoluto. "O acorde V7" nos diz seu papel; "G7 em dó maior" nos diz as notas específicas.
A identificação de acordes combina reconhecimento de padrões, conhecimento de intervalos e compreensão contextual. Com prática, identificar acordes se torna intuitivo—você ouvirá "essa é uma voicing maj7" antes de calcular conscientemente os intervalos. Essa habilidade acelera o aprendizado de músicas, a análise de arranjos e a criação de suas próprias progressões harmônicas.



